Evolução da Escolaridade de População da Grande São Paulo 1985 a 2004

O interesse por TV e a exigência com relação à qualidade da sua programação está diretamente ligada ao repertório cognitivo do telespectador e este relacionado com a escolaridade.

Como já apontamos em trabalho anterior o interesse por telejornais é 50% maior entre aqueles com ensino médio quando comparado com os indivíduos com ensino fundamental ou menor (mesmo controlando pela idade), olhando aqueles com curso superior vemos que estes têm 2,5 vezes “mais interesse” por telejornal do que as pessoas de baixa escolaridade (fundamental ou menos).

Tabela 1  Interesse por gênero de programa segundo escolaridade

 

Interesse em Telejornalismo

Interesse em Telenovelas

Interesse em Reality shows, tipo Casa dos Artistas e Big Brother

Interesse em Programas de Auditório, Música, Calouros

Interesse em Programas humorísticos

Interesse em Programas Femininos

Até prim. inc.

68,4%

50,6%

30,7%

52,6%

46,0%

34,8%

Primário Comp./Ginasio inc.

62,0%

48,4%

40,4%

52,0%

54,3%

41,5%

Ginásio Comp./Colegial Incomp.

71,6%

43,8%

34,6%

37,2%

52,1%

35,0%

Colegial Comp./Superior Incomp.

79,6%

36,7%

26,1%

27,4%

47,7%

31,2%

Superior Comp. ou mais

87,4%

24,6%

11,8%

18,3%

29,4%

18,1%

Total

70,3%

43,9%

32,8%

41,8%

49,5%

35,4%

Fonte: Pesquisa própria

Na tabela 1 vemos que o interesse por programas de auditório decresce rapidamente conforme a escolaridade do telespectador sobe. Nos demais gêneros apresentados a tendência não é tão nítida, mas a proporção de pessoas com ensino superior que se interessa por esses programas é bem menor e com colegial completo é menor em quase todos os gêneros apresentados.

Com isso em mente podemos esperar que mudanças na estrutura educacional tenham efeitos na audiência.

Nos últimos anos tivemos mudanças significativas nos padrões de escolarização da população, embora ainda tenhamos uma população com escolaridade menor do que a de países vizinhos ou de países com o mesmo nível de desenvolvimento econômico, estamos observando uma expansão significativa em especial no nível médio.

Gráfico 1 Média de anos de estudo segundo a idade para os anos de 1985, 1995 e 2004 Região Metropolitana de São Paulo Fonte: Fundação SEADE/DIEESE,  PED – Pesquisa de Emprego e Desemprego, vários anos, tabulação nossa.

Gráfico 1 Média de anos de estudo segundo a idade para os anos de 1985, 1995 e 2004
Região Metropolitana de São Paulo
Fonte: Fundação SEADE/DIEESE, PED – Pesquisa de Emprego e Desemprego, vários anos, tabulação nossa.

O gráfico 1 representa a média de anos de estudo (efetivamente concluídos, sem incluir repetências) segundo a idade; assim, no canto inferior esquerdo do gráfico temos as pessoas com 7 anos de idade que acabaram de entrar na escola e não tinham ainda nenhum ano de estudo completo, na medida em que andamos para a direita do gráfico a idade aumenta junto com a escolaridade, na extrema direita do gráfico vemos um declínio na escolaridade fruto da política educacional de trinta e cinqüenta anos atrás.

Em todos os grupos etários a diferença de anos de estudo em 2004 é sensivelmente superior á que tínhamos em 1985 e as pessoas atingem níveis de escolarização com idades cada vez menores.

A tendência é que nos próximos anos a média de anos de estudo sejam ainda maiores já que a proporção de crianças e adolescentes freqüentando a escola vem crescendo sistematicamente como mostra o gráfico 2.

 

Gráfico 2 – Porcentagem de indivíduos entre 7 e 18 anos que freqüentam a escola Região Metropolitana de São Paulo, 1985 a 2004 Fonte: Fundação SEADE/DIEESE,  PED – Pesquisa de Emprego e Desemprego, vários anos, tabulação nossa.

Gráfico 2 – Porcentagem de indivíduos entre 7 e 18 anos que freqüentam a escola
Região Metropolitana de São Paulo, 1985 a 2004
Fonte: Fundação SEADE/DIEESE, PED – Pesquisa de Emprego e Desemprego, vários anos, tabulação nossa.

Como vimos na tabela 1, as pessoas com primário incompleto e aquelas com médio completo têm interesses diversos quando se trata de televisão. Pelos gráficos 1 e 2 podemos inferir que a proporção de pessoas com primário incompleto vem caindo e com ensino médio vem subindo ao longo dos anos.

 

Gráfico 3 – Indivíduos com 22 anos, participação dos grupos de escolaridade Região Metropolitana de São Paulo, 1985 a 2004 Fonte: Fundação SEADE/DIEESE,  PED – Pesquisa de Emprego e Desemprego, vários anos, tabulação nossa.

Gráfico 3 – Indivíduos com 22 anos, participação dos grupos de escolaridade
Região Metropolitana de São Paulo, 1985 a 2004
Fonte: Fundação SEADE/DIEESE, PED – Pesquisa de Emprego e Desemprego, vários anos, tabulação nossa.

Para montar o gráfico 3 selecionamos indivíduos com 22 anos, a idade desse grupo não é tão grande que a sua escolaridade seja fruto de políticas educacionais já abandonadas, nem é tão jovem a ponto de ainda não ter condições de encerrar o nível médio. Em meados da década de oitenta as pessoas com nível fundamental incompleto constituíam o mais importante grupo educacional respondendo por 45% de todas as pessoas com 22 anos residentes na Grande São Paulo, enquanto que jovens com ensino médio eram apenas 15% do total. Quando chegamos na metade da primeira década do século 21 as proporções se invertem.

Lembrando mais uma vez a tabela 1, a proporção de pessoas com interesse por programas de auditório entre as pessoas com ensino fundamental incompleto ou menos é de 52%, mas a participação dessas pessoas na população como um todo caiu de 72% em 1985 para 47,6% em 2004. Já das pessoas com ensino médio completo ou curso superior incompleto 27,4% tem interesse por programas de auditório e sua proporção na população foi de 10,5% em 1985 para 25,8% em 2004.

Tabela 2 – Porcentagem de pessoas segundo faixa de escolaridade por ano

Região Metropolitana de São Paulo, 1985 a 2004

   

GRAU DE INSTRUCAO

Total

Fundamental incompleto ou menos

Fundamental completo

Médio incompleto

Médio completo

Superior incompleto

Superior completo

ANO DA ENTREVISTA 1985

72,0%

8,4%

4,1%

7,7%

2,8%

4,9%

100,0%

1986

71,9%

8,4%

4,1%

8,0%

2,6%

5,0%

100,0%

1987

71,7%

8,7%

4,3%

8,0%

2,4%

5,0%

100,0%

1988

71,1%

9,1%

4,2%

8,1%

2,4%

5,1%

100,0%

1989

70,2%

9,2%

4,5%

8,5%

2,4%

5,2%

100,0%

1990

68,5%

9,5%

4,7%

9,0%

2,6%

5,7%

100,0%

1991

67,2%

9,4%

4,8%

9,3%

2,8%

6,4%

100,0%

1992

66,3%

9,8%

4,9%

9,7%

2,8%

6,5%

100,0%

1993

64,4%

10,1%

5,3%

10,4%

2,9%

6,9%

100,0%

1994

63,3%

10,3%

5,6%

10,9%

2,8%

7,1%

100,0%

1995

62,1%

10,2%

5,8%

11,5%

3,0%

7,3%

100,0%

1996

60,6%

10,5%

6,0%

11,9%

3,2%

7,8%

100,0%

1997

59,7%

10,9%

6,0%

12,0%

3,4%

8,0%

100,0%

1998

57,7%

10,7%

6,9%

13,4%

3,3%

7,9%

100,0%

1999

55,4%

11,2%

7,1%

14,8%

3,5%

8,2%

100,0%

2000

54,0%

11,3%

7,1%

15,9%

3,6%

8,0%

100,0%

2001

53,4%

11,4%

7,1%

17,3%

3,5%

7,3%

100,0%

2002

52,2%

11,4%

7,1%

18,7%

3,6%

7,1%

100,0%

2003

49,8%

11,2%

7,1%

20,1%

3,8%

8,0%

100,0%

2004

47,6%

10,8%

7,2%

21,8%

4,0%

8,5%

100,0%

Total

62,3%

10,1%

5,6%

12,2%

3,1%

6,8%

100,0%

Fonte: Fundação SEADE/DIEESE,  PED – Pesquisa de Emprego e Desemprego, vários anos, tabulação nossa.

Concluindo, podemos dizer que a escolaridade da população da Grande São Paulo ainda é muito baixa, em média 7,5 anos de estudo o equivalente ao ensino fundamental. Mas os indicadores que utilizamos apontam para um crescimento significativo da escolaridade da população; apesar de ainda baixa, o contraste com os níveis de escolaridade nos anos 70 e 80 é gritante e as mudanças na grade de programação das emissoras de TV não ocorreram no mesmo ritmo.